quarta-feira, 15 de junho de 2011

Delírio

Nua, mas para o amor
não cabe o pejo
Na minha a sua boca
eu comprimia.
E, em frêmitos
carnais, ela dizia
 - Mais abaixo, meu
bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência
bruta do meu desejo
Fremente, a minha
boca obedecia,
E os seus seios,
tão rígidos mordia
Fazendo-a arrepiar
em doce arpejo.

Em suspiros de
gozos infinitos
Disse-me ela, ainda
quase em grito:
 - Mais abaixo meu
bem! - num frenesi

No seu ventre
pousei a minha boca,
Mais abaixo meu
bem! - disse ela louca,
Moralistas,
perdoai! Obedeci ...

Olavo Bilac





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